O que o corpo tenta dizer? Entenda a diferença entre Angústia e Ansiedade
Você saberia dizer a diferença entre ansiedade e angústia? Por vezes, usamos esss palavras como sinônimas mas entre elas há diferenciações que ultrapassam o campo conceitual
Viviane Arêas
1/13/20262 min read
Vivemos em uma época que nos exige pressa, performance e respostas imediatas. Nesse cenário, é comum ouvirmos — e sentirmos — que "estamos ansiosos". Mas, na clínica psicanalítica, fazemos um convite para olhar um pouco mais de perto: o que estamos chamando de ansiedade pode, muitas vezes, ser o que nomeamos como angústia.
Embora pareçam sinônimos, entender a distinção entre elas pode ser a chave para transformar sua relação com o próprio sofrimento.
A Ansiedade: O excesso de futuro e o ruído do mundo
A ansiedade costuma estar ligada a um objeto ou situação específica: o medo de uma prova, a expectativa por uma reunião, o receio de que algo dê errado. Ela é como um radar ligado no volume máximo, tentando antecipar perigos para que possamos nos proteger.
No dia a dia, a ansiedade se manifesta como:
Pensamentos acelerados;
Preocupação excessiva com o "e se...";
Uma tentativa incessante de controle sobre o que ainda não aconteceu.
A Angústia: O afeto que não engana
Para a psicanálise lacaniana, a angústia é algo mais profundo. Enquanto a ansiedade "fala" muito, a angústia muitas vezes nos deixa sem palavras. Ela surge quando nos deparamos com um vazio ou, curiosamente, quando algo nos invade de forma excessiva.
Lacan dizia que a angústia não é o medo de perder algo, mas sim a proximidade excessiva do desejo do Outro. É aquele aperto no peito que surge quando não sabemos o que esperam de nós, ou quando as certezas que construímos sobre quem somos começam a falhar.
A angústia é um sinal. Ela não é uma doença a ser eliminada imediatamente com uma pílula, mas um ponto de verdade que indica que algo em nossa vida precisa de lugar e voz.
Como a Psicanálise pode ajudar?
Diferente de abordagens que buscam apenas silenciar o sintoma, a psicanálise propõe um caminho de escuta. Em vez de perguntar apenas "como parar de sentir isso?", nos perguntamos: "o que isso que você sente está tentando lhe dizer?". Aqui cabe uma observação: em situações pontuais, de extrema angústia, silenciar o sintoma pode ser necessário. Em crises muito intensas, o trabalho conjunto entre um psiquiatra - que irá medicar o sintoma - pode auxiliar o andamento da análise e o bem-estar do paciente. Todavia, a psicanálise pode ajudar você a:
Transformar o sintoma em palavra: Quando damos nome ao que sentimos, a angústia para de precisar "gritar" no corpo.a
Localizar o desejo: A análise ajuda a separar o que é a sua vontade real das expectativas que os outros (pais, parceiros, sociedade) depositaram em você.
Acolher o vazio: Aprendemos que não precisamos ter todas as respostas o tempo todo.
Um convite ao cuidado
Sentir-se angustiado não é um sinal de fraqueza, mas de humanidade. É o seu psiquismo avisando que há algo novo querendo emergir, mas que ainda não encontrou passagem.
Se o aperto no peito ou a aceleração dos pensamentos têm sido companheiros constantes, talvez seja o momento de abrir um espaço de fala para eles.
