O Luto não é Doença: A Arte de Atravessar a Perda
Vivemos na era das redes sociais, da felicidade instantânea. As telas nos fazem percerber a grama do vizinho sempre mais erde que a nossa. Parece que não temos mais lugar para a trsiteza, a qual devemos curar a qualquer custo. Logicamente, estar triste não é uma das sensações mais agradáveis do mundo. No entanto, gostaria de propor um olhar diferente: o luto não é uma patologia, mas um processo que integra da vida. Ele não deve ser silenciado com diagnósticos apressados, mas sim escutado, vivido.
Viviane Arëas
1/13/20262 min read
Vivemos na era das redes sociais, da felicidade instantânea. As telas nos levam a percerber a grama do vizinho sempre mais verde que a nossa. Parece que não temos mais lugar em nossa vida para a tristeza, a qual devemos curar a qualquer custo. Logicamente, estar triste não é uma das sensações mais agradáveis do mundo. No entanto, gostaria de propor um olhar diferente: o luto não é uma patologia, mas um processo que integra da vida. Ele não deve ser silenciado com diagnósticos apressados, mas sim escutado, vivido.
Frequentemente, associamos o luto apenas à morte física de alguém que amamos. Mas, na verdade, somos atravessados por perdas o tempo todo. O fim de um relacionamento, a saída de um emprego, a mudança de uma cidade ou até a queda de um ideal que tínhamos sobre nós mesmos — tudo isso exige um trabalho de luto.
O que acontece quando perdemos algo?
Em termos psicanalíticos, o luto é o tempo necessário para que possamos desinvestir a nossa libido (nossa energia vital e de desejo) daquilo que se foi. Quando perdemos algo que era central para nós, um buraco se abre. É como se um pedaço do nosso mundo perdesse o sentido.
Lacan nos lembra que o luto está profundamente ligado à nossa relação com a falta. Quando perdemos um objeto ou alguém que amamos, somos confrontados com um vazio que ninguém pode preencher imediatamente. Tentar pular essa etapa é tentar ignorar a nossa própria humanidade.
As múltiplas faces da perda
Luto de relacionamentos: Onde depositamos nossos planos e nossa identidade.
Luto de ideais: Quando percebemos que não somos "perfeitos" ou que a vida não seguiu o roteiro que planejamos.
Luto de fases da vida: A passagem da juventude para a maturidade, ou a saída dos filhos de casa.
O papel da terapia: Da dor à ressignificação
Se o luto é um processo natural, por que procurar terapia?
A análise oferece um lugar seguro onde essa dor pode ser transformada em palavra. No luto, o sujeito muitas vezes se sente "perdido de si mesmo". O espaço clínico permite que você possa:
Dar nome à perda: Falar sobre o que aquele objeto representava para você;
Atravessar o vazio: Sem a pressão social para "ficar bem logo", permitindo que o tempo subjetivo de cada um seja respeitado;
Reinvestir na vida: Gradualmente, a energia que estava presa naquilo que se foi começa a se soltar, permitindo que você possa desejar novamente e encontrar novos caminhos;
Fazer o luto não é esquecer o que se perdeu, mas dar a essa perda um novo lugar dentro de nós. É o trabalho de transformar um vazio que paralisa em um espaço onde a vida pode, novamente, circular.
